Outros Nomes: Mangusto, manguço ou escalavardo
Identificação e características
O Saca rabos é um carnívoro de médio porte, com uma pelagem de cor castanho acinzentado. Tem o corpo alongado, focinho pontiagudo, as patas são curtas e a cauda vai afunilando até à sua extremidade, terminando num pincel de pelos mais escuros.Tem uma altura no garrote de aproximadamente 20 cm, pesando entre 2 a 8 kg. Comprimento total de cerca de 90 cm dos quais a cauda pode medir até 50 cm. Na cabeça destacam-se as orelhas, pequenas e arredondadas, os olhos são vivos, de cor castanho mel.
Não se confunde com mais nenhum mamífero da nossa fauna, em corrida mostra toda a sua agilidade e flexibilidade. Desloca-se com desenvoltura e velocidade, em terrenos abertos e no mais denso matagal onde aproveita as veredas de outros animais para mais facilmente progredir.
Hábitos e alimentação
De hábitos diurnos principalmente, caça em grupos familiares. Atuando desta forma é bastante eficaz na captura de pequenos roedores, repteis e espécies cinegéticas como o coelho e a lebre que são a base da sua alimentação. Sempre que tem oportunidade também captura aves, insectos, anfíbios e até frutos se o resto escassear. São peritos em incursões nos galinheiros onde fazem grande mortandade nas aves de criação. Aproveitam cadáveres e já foram vistos junto a contentores do lixo em busca de restos, o que demonstra a sua versatilidade para encontrar alimento
A sua área de caça varia consoante a disponibilidade de alimento, indo dos 0,5 a 5 km2, para cada grupo familiar. Quando em deslocamento, as crias fazem-no em fila-indiana, com o focinho enfiado por debaixo da cauda do animal que o precede, dai o nome de saca rabos.
Distribuição e abundância
Pensa-se que esta espécie tenha sido introduzida no Sul da Península Ibérica pelos árabes, sendo originária do continente Africano.Pouco a pouco foi colonizando toda a Península Ibérica só sendo travado pelos Pirenéus. É abundante em todo o território nacional, chegando a ser muito numeroso em locais onde a densidade de coelhos também é elevada.
Prefere zonas com matagais densos e silvados, em geral na proximidade de linhas de água. Como toca utiliza luras abandonadas de coelhos que alarga com as fortes garras que possui nos cinco dedos.
Reprodução
Os partos desta espécie ocorrem entre Maio e Setembro, após uma gestação de 72 a 84 dias nascem ninhadas de 2 a 4 crias. Habitualmente só parem uma vez por ano.
As crias abrem os olhos sete dias depois de nascerem e com três meses já participam nas caçadas da família, ficando com a mãe até que esta tenha nova ninhada. Aos dois anos estão aptos a se reproduzir.
Sua caça
É uma espécie cinegética de caça menor, que pode ser caçada de salto e de espera (entre Outubro e Dezembro) e de batida (Entre Janeiro e Fevereiro) [Decreto-Lei nº202/2004, de 18 de agosto, com a redação que lhe é conferida pelo Decreto-Lei nº2/2011 de 6 de Janeiro, Secção VI, Artigo 94º].
Consultar o calendário venatório em vigor.
Na ZCM de Coimbra Sul
É abundante em toda a área da ZCM de Coimbra Sul, conforme se comprova pelos avistamentos frequentes, nomeadamente junto às povoações. Os ataques a capoeiras também são frequentes, sendo comprovados com avistamentos durante o ato.
Animal com grande capacidade de adaptação e polivalente nos recursos para capturar presas, causa especial impacto nas populações de coelhos bravos, e de perdizes e faisões, quando se efetuam soltas para reforço de efetivos destas espécies.
Pode ser caçado de salto em conjunto com as outras espécies sedentárias (coelho, perdiz, faisão, raposa), nos meses de Outubro, Novembro e Dezembro. Quando são realizadas batidas às Raposas também pode ser abatido (Janeiro e Fevereiro).
Os abates durante as jornadas de caça de salto não são relevantes, talvez por estes animais conseguirem se refugiar atempadamente nas suas covas evitando o acosso pelos cães coelheiros. Para se poder controlar a sua população de uma forma eficaz tem este clube solicitado autorização para efetuar ações de controlo de predadores (Raposa e Saca rabos), com recurso a jaulas armadilha [Decreto-Lei nº202/2004, de 18 de agosto, com a redação que lhe é conferida pelo Decreto-Lei nº2/2011 de 6 de Janeiro, Capítulo IX, Artigo 113º]. Desta forma temos mantido a população de saca rabos em números aceitáveis, mesmo assim julgamos que se tem notado um incremento populacional na área sobre a nossa gestão, o que nos preocupa atendendo ao impacto negativo que pode ter na recuperação das populações de coelho bravo, que se encontram com um numero de efetivos aquém do que desejava-mos.
Estas ações tem decorrido regularmente todos os anos, no periodo de Março a Julho, sendo a sua incidencia maior nas áreas com maior densidade de coelhos e nos locais com registo de ocorrencia de ninhos de perdizes. São capturados em média entre 20 a 30 animais todos os anos.
Os exemplares capturados nos últimos três anos têm sido entregues à Universidade de Aveiro, que está a efetuar um estudo da genética e evolução das populações de Saca rabos em Portugal.
Esta espécie não sendo uma das mais acarinhadas pelos caçadores, tem de ser vista como mais um dos elementos essenciais ao bom funcionamento do ecossistema da nossa zona de caça. Não nos podemos esquecer do seu importante papel de controlador da disseminação da mixomatose, doença que infelizmente ainda ocorre nos nossos coelhos. O Saca rabos ao apanhar os coelhos doentes, os que são mais fáceis de capturar, vai impedir que estes entrem em contato com animais saudáveis e assim lhes passar a doença.
Temos de estar atentos ao aumento do seu numero, mas não podemos pensar que o seu extermínio dos nossos campos seria vantajoso. O ideal é mantermos o equilíbrio, com um numero de predadores em linha com a abundância de presas.
Miguel Machado



